• Isabel N. Sangali

Sustentabilidade e a consciência de consumo: a real eficácia das medidas ecologicamente corretas

Sustentável é algo que consegue perdurar, consegue se manter. Derivado desse conceito, surge o termo "sustentabilidade" e sua conexão com o meio ambiente e o estilo de vida e consumo que pessoas e empresas adotam para si. Cada vez mais comum de ser observado em campanhas de marketing, e com presença quase que mandatória em planos de governo, a sustentabilidade é uma das metas do milênio da ONU, o que nos faz questionar qual o real papel e utilidade que a aplicação do estilo de vida sustentável pode ter em nossas vidas a médio e longo prazo.

O desgaste do meio ambiente pela má utilização dos recursos naturais surge no uso imprudente do que a natureza fornece, sem a preocupação com a reposição daquilo que é utilizado ou em impactos mais complexos que essa má utilização de recursos possa vir a trazer. Desta forma, vindo na contramão da atitude impensada, e propondo uma reflexão sobre nosso padrão de consumo pessoal e coletivo, firma-se o conceito de sustentabilidade.

Muitas atitudes e campanhas afloram pela mídia propondo a atitude simples como a mais correta e tentando nos incluir enquanto indivíduos com a preocupação com legado que iremos deixar para futuras gerações. Dentre as sugestões mais comuns vemos: o uso de produtos reciclados, a diminuição de nosso consumo de água e energia elétrica, o uso de combustíveis renováveis etc. Entretanto, tais atitudes individuais possuem pouco impacto! Por exemplo: Um banho de 15 minutos consome 144L de água, se diminuirmos para 5 minutos, isso cai para 48L. Entretanto, ao consumirmos 1L de cerveja, estamos utilizando indiretamente 155L de água (usados na produção da cerveja e no beneficiamento de seus ingredientes)! O conceito no qual é preciso chegar é a chamada "Pegada ecológica" que calcula de forma aproximada o quanto usamos de recursos naturais em nosso dia-a-dia, considerando minúcias que nos passam despercebidas. A relação entre hábitos de consumo e Pegada Ecológica é explícita e um tanto quanto assustadora para pessoas que imaginam que basta reciclar o papel ou separar o lixo e não deixar a torneira pingando para fazer a "sua parte". Um termo da língua inglesa que mostra o porquê não estamos habituados a pensar fora da caixa é o "Greenwashing", que nada mais é do que campanhas ou atitudes que nos são propostas mas que na verdade não passam de uma falácia com impacto real quase nulo. Aí nos perguntamos: "Mas para onde devemos olhar? É hora de simplesmente não fazer nada?" Não! Nada disso! É sim possível tomar atitudes coerentes para diminuir o impacto que causamos ao planeta. Uma grande e gloriosa estratégia é repensar nosso consumo, desacelerar nossa ânsia econômica, observar a real necessidade de nossas compras e principalmente rastrear. A boa escolha do que compramos, consciente em qualidade e quantidade, afeta sim o que a indústria produz, o que os comerciantes decidem vender e, por consequência, o que é retirado ou não da natureza. A lei econômica de oferta e demanda, aplicável por extensão à sustentabilidade, nos leva a crer que, ao comprarmos produtos que respeitam o meio ambiente, ou deixarmos/reduzirmos o consumo de produtos nocivos, a indústria tem de se readequar. Ou seja: Uma mudança na demanda, gera uma mudança no que nos é ofertado! Se pedirmos por produtos, de fato "verdes", a indústria nos dará.

Agora, quais seriam os critérios de um produto, de fato, "verde"? Como diferenciar aquilo que é falacioso do que de fato causa algum impacto? Observando o quanto esse produto irá durar em nossas vidas. Uma reflexão: Quando algo quebra, um telefone, um ventilador, uma televisão. O que você faz? Orça um conserto, orça um produto novo e a opção financeiramente mais em conta é a vencedora? Ou em caso de que o produto novo seja "só um pouco" mais caro, você escolhe ele? Você já ouviu alguém dizer que "antigamente os produtos duravam mais"? Se qualquer situação acima lhe é familiar, muito provavelmente você é uma vítima da "Obsolescência programada", mais uma expressão que, de uma forma ou de outra, afeta a maneira como você e sua vida impactam o meio ambiente. Alguns itens que compramos (lâmpadas, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos etc) tem sim um "prazo de validade". São programados, no ato de sua produção, para sobreviverem por um determinado tempo. Quando esse prazo vence, algum componente, já desgastado pelo uso, irá parar de funcionar.

As escolhas das empresas, por questão de preço determinam a qualidade e a origem das partes que irão compor o produto final. Mas, e o que isto tem a ver com o ambiente? Ora, tudo. Se sustentabilidade é a capacidade de criar algo que irá se manter, consertar algo que estraga ao invés de comprar algo novo, tem tudo a ver com nosso impacto no meio ambiente. Consumimos menos, impactamos menos. Mexer em nosso consumo, novamente parece ser a melhor alternativa.

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